Arquivo diários:25 de agosto de 2011

Ato da Comunidade Unifesp pela educação pública reúne mais de 500 na Av. Paulista

O ato pela valorização da educação pública, realizado na Avenida Paulista por diversas entidades e movimentos sociais na última quarta-feira (24), contou com uma participação massiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Mais de 500 pessoas fizeram uma concentração no vão livre do MASP e partiram em passeata até a Praça do Ciclista. O intuito foi repercutir no estado de São Paulo o ato da Jornada Nacional dos Movimentos Sociais, que reuniu mais de 20 mil pessoas em Brasília, e mobilizar quem não conseguiu comparecer à capital federal.

A manifestação procurou sensibilizar a população para a importância de aumentar os investimentos em educação e valorizar o trabalho de professores e servidores técnicos nas universidades e escolas públicas. Na pauta, a luta pela aplicação de 10% do valor do Produto Interno Bruto (PIB) no setor, a defesa de salários e carreiras dignas para professores e trabalhadores em educação e a denúncia do Projeto de Lei 549/2009, que “congela” por 10 anos os rendimentos e investimentos no âmbito dos serviços públicos federais.

A receptividade da população foi bastante grande, inclusive quando os manifestantes causaram lentidão no trânsito ao fecharem a Paulista ou durante a marcha, que interditou uma das faixas da avenida. Muitos cartazes com os dizeres “buzine pela educação pública” ou “buzine pelos 10% do PIB para educação” eram prontamente atendidos por inúmeros motoristas. O ato também contou com grande repercussão nos meios de comunicação, que em geral fizeram uma cobertura bastante positiva.

A Associação dos Docentes da Unifesp (Adunifesp-SSind.) foi uma das organizadoras e idealizadoras do ato, realizado em conjunto com entidades estudantis e o Sindicato dos Servidores Técnicos da Instituição. Além disso, a manifestação foi convocada por outra Seção Sindical do ANDES-SN, a Associação dos Docentes da UFABC, e pelo Sinasefe, Sindicato dos Professores das Escolas Federais, que atualmente estão em greve. A manifestação representou uma importante articulação entre as entidades das instituições federais de educação do estado de São Paulo.

Unifesp vive momento difícil

Apesar de sempre constar nas listas de melhores universidades brasileiras, a Unifesp vive um momento difícil. Um número expressivo de servidores técnico-administrativos está em greve há mais de dois meses e os professores debatem fazer o mesmo, dependendo do resultado das negociações com o Governo Federal. Na pauta, um aumento salarial condizente com as perdas inflacionárias do último período e mudanças na carreira que valorizem o trabalho nas universidades federais.

Além disso, o processo de expansão iniciado nos últimos anos foi realizado sem o devido financiamento, infraestrutura e políticas de permanência estudantil. Em 2010, uma forte mobilização da comunidade universitária, particularmente dos estudantes, conquistou compromissos da Reitoria da Instituição e do Ministério da Educação para resolver os inúmeros problemas, mas a maioria ainda persiste. A participação massiva da comunidade Unifesp na manifestação do dia 24 – somente os docentes eram quase cem – demonstrou o forte descontentamento com as atuais condições de estudo e trabalho.

Confira o álbum de fotos:

https://picasaweb.google.com/112523297948817071088/AtoPelaEducacaoPublicaNaAvPaulistaAgosto2011

Marcha Unificada dos Movimentos Sociais reúne mais de 20 mil pessoas em Brasília

Por Renata Maffezoli
ANDES-SN

Mais de 20 mil pessoas enfrentaram o calor e a falta de umidade na capital brasileira e marcharam juntas pela Esplanada dos Ministérios nesta quarta-feira (24). A manifestação faz parte Jornada Nacional de Lutas organizada por centrais sindicais, sindicatos de trabalhadores do serviço público e privado, movimentos sociais e populares. A passeata terminou com um ato em frente ao Congresso Nacional.

Servidores públicos federais, trabalhadores rurais, estudantes e militantes de movimentos sociais carregavam cartazes e bandeiras com eixos de luta, nos quais cobravam mais atenção e respeito às reivindicações apresentadas ao governo. Um dos destaques da manifestação foi a campanha pela aplicação dos 10% do PIB para educação pública, já!

No trajeto, diversas lideranças sindicais e de movimentos sociais fizeram falas criticando a política econômica do Governo Dilma, de redução de investimentos no serviço público e em áreas sociais, como Educação e Saúde. Os despejos de moradores por conta das obras da Copa e de Belo Monte também foram alvos de duras críticas dos manifestantes, que exigiram uma resposta imediata do executivo para o problema.

A presidente do ANDES-SN, Marina Barbosa, destacou a importância da mobilização conjunta das entidades, que devem seguir firme na luta pelas suas reivindicações. “Essa demonstração de força não pode parar aqui, nesse importante ato nacional. É preciso dar continuidade. O ANDES vem realizando assembleias para avaliar a proposta do governo e decidir os rumos da mobilização”, informou Marina. Ela convidou todos os movimentos presentes à aderirem a campanha pela aplicação dos 10% do PIB na educação pública, já!

Os manifestantes também declaram apoio aos povos da África do Norte, da Líbia, da Palestina, aos manifestantes na Europa e América Latina e ao movimento pela educação no Chile e aos trabalhadores que realizam paralisação de 48 horas naquele país.

As entidades participantes da marcha levaram suas reivindicações ao governo, Congresso Nacional e ao judiciário. Durante a manifestação, representantes das entidades foram recebidos na Casa Civil pelo Secretário Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e na Câmara dos Deputados, pelo presidente da casa, Marco Maia. Está previsto para a noite desta quarta (24), um encontro dos dirigentes o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto.

Casa Civil

O Secretário Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, recebeu dos representantes das entidades sindicais e movimentos sociais a plataforma unitária de lutas – veja aqui o documento – onde constam os eixos gerais de luta.

Participaram do encontro, José Maria (CSP-Conlutas), Marina Barbosa (ANDES-SN), Guilherme Boulos (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – Mtst), José Hamilton (Condsef), Quintino Severo (Central Única dos Trabalhadores) e Pedro Armengol (Central Única dos Trabalhadores) e Cléber Buzatto (Via Campesina).

Os dirigentes também apresentaram reivindicações específicas. O representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, cobrou do governo ação imediata a respeito dos despejos que estão ocorrendo por conta das obras da Copa e da Usina de Belo Monte e também uma justificativa para o corte de repasse de verbas ao programa Minha Casa, Minha Vida, o que segundo ele tem inviabilizado uma série de obras que deveriam atender aos trabalhadores sem teto.

A presidente do ANDES-SN, Marina Barbosa, colocou também na mesa a questão da necessidade de maior investimento por parte do governo na educação, com a aplicação imediata de 10 % do PIB. Chamou atenção ainda para a dificuldade de negociação enfrentada por todas as entidades dos servidores públicos federais (SPF) junto ao governo.

O representante da Casa Civil disse que considera um absurdo a forma como o despejo dos moradores está sendo feita, por conta das obras da Copa e de Belo Monte. Carvalho ressaltou que a desocupação das áreas muitas vezes é necessária, mas pode ser executada de uma forma menos prejudicial às famílias despejadas. O secretário se comprometeu fazer um diagnóstico imediato dos impactos das obras e criar um fórum de discussão e acompanhamento com a participação dos movimentos sociais.

Quanto às reivindicações dos SPF, Carvalho disse que conversaria com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e com a presidente Dilma, para avaliar se existe a possibilidade de avanço nas negociações da pauta geral e das específicas. Propôs ainda a participação das entidades em fóruns de discussão já em andamento na Casa Civil, que tratem dos pontos abordados na plataforma unitária.

Congresso

O presidente da Câmara, Marco Maia, também recebeu dos representantes dos movimentos sindicais, estudantil e sociais a pauta elaborada pelas entidades. O 2º tesoureiro da Andes, Almir Meneses Filho, cobrou do deputado um posicionamento da casa em relação ao percentual do Produto Interno Bruto destinado à educação pública. Segundo ele, atualmente, as verbas para esse setor representam apenas 4% do PIB. As entidades defendem que seja destinado, imediatamente, no mínimo 10% do PIB. Maia destacou que o assunto já está sendo discutido no âmbito da Comissão Especial do Plano Nacional de Educação (PL 8035/10).

Plenária 10% PIB para Educação Pública, Já!

Na tarde desta quarta-feira (24), várias entidades que participaram da marcha compareceram à plenária da campanha “10% do PIB na Educação Pública Já!”, onde foram definidos os próximos rumos da campanha, com a consolidação de comitês regionais em todos os estados, para a ampliação e fortalecimento da campanha, e a realização de um plebiscito nacional na semana da Pátria, em novembro. A próxima reunião da organização da campanha foi agendada para 5 de setembro.