Adunifesp recomenda Moodle da SEAD em vez de plataformas proprietárias

Uso do recurso da Universidade, associado a sistemas estatais de videoconferência, visa a proteger dados e preservar caráter público da universidade no período de ensino remoto emergencial

A Secretaria de Ensino a Distância da Universidade Federal de São Paulo reabriu nesta segunda-feira (26/10) o formulário de indicação de interesse para o uso do Moodle nas Atividades Remotas Emergenciais referentes ao segundo semestre de 2020. A manifestação pode ser feita até o dia 1/11.

O ensino remoto tem imposto uma série de desafios tanto para o ensino e a aprendizagem durante o período da pandemia quanto para resistir às investidas do governo para aproveitar tal conjuntura na imposição do Ensino a Distância como forma de desmontar a universidade pública. Um dos pontos mais problemáticos é relativo ao uso de plataformas privadas, como o Google Classroom e o Microsoft Teams, ambos disponíveis a docentes e estudantes da Unifesp. Entre eles destacam-se:

1) coleta e uso de dados pessoais por empresas privadas;
2) perda de autonomia da universidade sobre sua própria infraestrutura;
3) transferência de verbas e conhecimento públicos para multinacionais sem qualquer compromisso político ou econômico com o nosso país.

Nas plenárias realizadas ao longo dos últimos meses, a Adunifesp indicou que as atividades remotas emergenciais deveriam ser desenvolvidas em plataformas à escolha dos docentes, para facilitar a adaptação ao uso de tais tecnologias. Nesse período houve uma acomodação ao uso das ferramentas privadas, principalmente do Google, gerando dependência, de sorte que a Unifesp contratou, ainda durante o período do primeiro semestre letivo, assinatura de um ano do pacote de recursos avançados do G Suite.

É necessário dar passos adiante e pensar na construção de uma universidade pública e efetivamente autônoma, incluindo a apropriação, emprego e aperfeiçoamento de sua base tecnológica. Nesse sentido, é importante que o máximo de docentes use o Moodle por ser um programa de código aberto adaptado com grande esforço e competência por colegas docentes e técnicos no âmbito da universidade, ajustado à sua realidade local, voltado às necessidades pedagógicas da própria Unifesp.

Também é desejável migrar o sistema de videoconferência para plataformas públicas, como a Conferência Web (https://conferenciaweb.rnp.br). Quem decidir manter as ferramentas privadas de amplo emprego, como Meet, Zoom e Skype, seu uso combinado com o Moodle em vez do Classroom já significa avanço na retomada da nossa autonomia. Com a ampliação do uso do Moodle se espera:

1) pressionar a demanda e criar massa crítica para reivindicar ao MEC financiamento de bens de capital e pessoal concursado na área de tecnologia da informação para ampliar a estrutura pública;
2) aperfeiçoar as ferramentas em desenvolvimento pela equipe da Secretaria de Ensino a Distância para seu uso como ferramentas de apoio ao ensino presencial, quando este for retomado mediante condições sanitárias seguras;
3) reduzir a dependência de empresas privadas de modo que a atualização tecnológica da universidade pública tenha caráter igualmente público e democrático, redirecionando as verbas do erário das megacorporações para servidores que vivem, e consomem no Brasil, ajudam a desenvolver o País;
4) fomentar o uso de software livre, criando um ambiente de costumes no sentido de fomentar o uso e o acesso democrático da internet;
5) preservar os dados de estudantes e docentes.

Nos próximos dias a Adunifesp enviará à reitoria um ofício solicitando esclarecimentos sobre as políticas de nossa universidade em relação a dados e pretendemos, em breve, chamar o debate de base sobre tão importante tema que será enfrentado com ações propositivas de apropriação e uso das novas tecnologias, não com simples rejeição e negação do estágio atual de desenvolvimento científico e tecnológico de nossa sociedade. Esperamos auxiliar que o movimento docente de nossa instituição, uma das mais importantes do país, tenha condições de interferir no debate público de forma qualificada e avançada.