Flávio Bolsonaro quer retirar universidades federais do MEC

O candidato à presidência da república, Flávio Bolsonaro, tem defendido tirar as universidades federais do âmbito do MEC (Ministério da Educação) e transferir a gestão delas para o MCTI (Ministério da Ciência e Tecnologia). Uma proposta que, a bem da verdade, chegou a ser cogitada durante o mandato de seu pai, Jair Bolsonaro (PL).

A proposta é parte de seu plano de governo. Lá, Flávio defende que as agências de fomento à pesquisa devem priorizar o que ele chama de “impacto produtivo”, com vistas a atender as necessidades do mercado e das empresas, no marco de um país curvado ao colonialismo dos EUA. Ou seja, é a defesa da velha visão utilitária da educação, radicalmente neoliberal, que almeja a destruição dos fundamentos da universidade pública, cujo verdadeiro papel é atender a sociedade e não o mercado.

A proposta é ineficiente porque cria uma fragmentação institucional que compromete a formulação de políticas educacionais mantendo a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Médio no MEC e deslocando o Ensino Superior e a Pós-Graduação para outra pasta.

Nessa proposta, várias áreas que por sua natureza estão vinculados à produção cultural, artística e humana em geral, ficam ameaçadas pois não são de interesse do mercado.

Na visão de Flávio, e de toda a extrema direita, vale dizer, prevalece a ideia vulgar de que deve-se focar na educação básica. Só quando ela alcançar um patamar maior que o atual é que deve-se invetir em universidades públicas. O que essa ideia ignora é que é impossível expandir e fortalecer a rede básica sem professores das mais diversas áreas, além de profissionais como pedagogos, psicólogos e bibliotecários, cuja formação só pode ser realizada em universidades. Ou seja, a democratização da educação básica só ocorrerá com uma ampla rede universitária capaz de atender essa demanda.

O movimento docente precisa entrar em estado de alerta para o risco que represanta uma possível eleição de Flávio em outubro desse ano, pois trata-se de uma ameaça muito maior do que foram os quatro anos de Jair Bolsonaro e seus desastrosos indicados prara o MEC (Ricardo Vélez Rodríguez, Abraham Weintraub, Milton Ribeiro e Victor Godoy).