Nota de pesar: Amelinha Teles, presente

A Adunifesp lamenta a passagem de Amelinha Teles, veterana das lutas sociais do nosso país, feminista, defensora dos direitos humanos e escritora.

Maria Amélia de Almeida Teles, mais conhecida como Amelinha Teles, nasceu em 1944 na cidade de Contagem (MG) e foi parte de toda uma geração de jovens que resistiu bravamente aos “anos de chumbo” que vigoraram entre 64 e 85 no Brasil, recorrendo até mesmo à luta armada.

Como parte do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Amelinha chegou a ser sequestrada pela Operação Bandeirantes (Oban) em dezembro de 1972. Nas dependências do DOI-Codi, foi torturada pessoalmente pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ídolo da extrema-direita brasileira.

Desde então, Amelinha tem se destacado por sua luta em defesa da democracia: fundou a União de Mulheres de São Paulo; atuou para pressionar a Assembleia Nacional Constituinte através do “Lobby do Batom”, que buscava garantir a inclusão da igualdade de direitos entre homens e mulheres na Constituição que estava nascendo, idealizou o Promotoras Legais Populares (PLPs), que buscava promover formação jurídica para mulheres comunitárias; assessorou a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” e ainda integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.

Em 2005 Amelinha também moveu uma importante ação contra seu torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. O que possibilitou que, três anos depois, Ustra fosse o primeiro agente do Estado brasileiro a ser legalmente reconhecido como agente torturador da ditadura.

Por conta dessa honrosa e respeitável trajetória, nossa instituição pôde homenagear Amelinha Teles com o título de doutora honoris causa, através do Consu/Unifesp, em 2023.

Manifestamos nossos sentimentos a todos os seus amigos e familiares, particularmente ao nosso colega de casa e filho de Amelinha, Edson Teles, professor no campus de Guarulhos.

Amelinha Teles, presente.