Prestação de Contas: Balanço Financeiro da Adunifesp – agosto 2023 a julho 2025

Aprovado pela Assembleia da Adunifesp de 21/08/2025

Com o final do mandato da diretoria 2023-2025, a Assembleia Geral da Adunifesp debateu e aprovou este balanço financeiro-orçamentário da entidade. Ele foi elaborado a partir da sistematização (pela Secretaria e presidência da Adunifesp) dos dados numéricos a ela disponibilizados pela assessoria contábil da Adunifesp[1]. O balanço havia sido previamente enviado (por email) aos associados da entidade e, na sequência, submetido à apreciação e ao debate na Assembleia Geral da Adunifesp de 21 de agosto de 2025, que finalmente o aprovou por unanimidade.

Receitas da Adunifesp

A Adunifesp, seção sindical na Unifesp, do Sindicato Nacional de Docentes do Ensino Superior Público (Andes-SN), tem como receita exclusiva as contribuições sindicais voluntárias de seus associados. As receitas da Adunifesp haviam experimentado assim uma pequena, mas significativa, queda nominal entre 2020 e 2023. Isso decorreu do fato do número de associados ter caído de 813 para 762 em tal período.

A pandemia da Covid-19 e uma certa acomodação à ausência de atividades presenciais e de mobilizações sindicais mais diretas durante tal período, bem como naquele imediatamente posterior, devem ajudar a explicar tal revés no quadro de sindicalização da categoria na Unifesp. Para tonar ainda mais complicada a situação, a ausência de reajuste salarial entre 2017 e 2023 levou a uma queda no valor real das contribuições. Ou seja, enquanto as despesas do sindicato tendiam a subir junto com a inflação, a contribuição por docente afiliado estava congelada. A queda do número de afiliados, junto com o congelamento de seus salários (e, portanto, contribuições) levou a um quadro de piora significativa nas condições orçamentárias da Adunifesp no início da gestão 2023-2025.

O quadro de filiações experimentou uma recuperação no decorrer do ano de 2024. Isso pode ser visto na Figura 1 acima. Acreditamos que a mobilização em torno da campanha salarial – a qual culminou com uma greve e com conquistas parciais, limitadas, mas significativas – ajudou a reanimar na base da categoria a disposição em participar de sua entidade sindical (inclusive por meio de afiliação voluntária por parte de novos docentes).

Internamente, contudo, a diretoria da Adunifesp passou por uma fase consideravelmente limitante na participação efetiva de vários membros de sua diretoria ainda antes da greve – algo que se intensificou um pouco neste último semestre já bem ao final da gestão. Alguns membros tiveram de se afastar (por motivos variados, desde pessoais/familiares até profissionais) provisória, outros permanentemente. Isso, junto com falhas de coordenação, dificultou a divisão de tarefas e inviabilizou a impulsão de uma Campanha de Sindicalização que deveria ter ocorrido junto e logo após à campanha salarial em 2024.

A despeito dessa oportunidade perdida, a Adunifesp conseguiu recuperar o número de associados para quase 800 já ao final do 1º semestre de 2025. Uma campanha de filiação bem estruturada e politicamente motivada a ser impulsionada pela nova diretoria (2025-2027) pode permitir recuperar muito mais a base de contribuintes, permitindo dar um alívio grande às condições orçamentárias da entidade – algo importante para capacita-la aos futuros enfrentamentos e lutas em defesa dos direitos da categoria docente e da Universidade Pública.

Despesas da Adunifesp

As despesas da Adunifesp podem ser subdivididas em três categorias:

i) manutenção do funcionamento da sede e da entidade – gastos do dia a dia de escritório, luz, água, internet, limpeza, reforma/consertos, aquisição de equipamentos e material de escritório, além do pagamento dos serviços cartoriais, de contabilidade, dentre outros.

ii) folha de pagamento dos três funcionários – gastos com salários, direitos e benefícios, além de contribuições obrigatórias a duas pessoas alocadas na Secretaria e uma na Comunicação.

iii) mobilização e política sindical – gastos com panfletos, faixas, ônibus a atos; viagens de delegações (eleitas em Assembleia de Docentes Unifesp) aos eventos nacionais do Andes Sindicato Nacional e rateio de seus Congressos e Conads; repasse (de cerca de 22%) das contribuições dos filiados ao Andes-SN; pagamento do Jurídico (escritório de Advocacia) pelos serviços a associados e à entidade.

A evolução no tempo desses três grupos de despesas pode ser observada (mês a mês) nas duas primeiras tabelas ao final deste texto, bem como (semestralmente) na Figura 2 acima.

Nota-se que houve um certo crescimento (nada extraordinário) nos dispêndios com funcionários devido a reajustes salariais dos mesmos previamente acordados. E houve, sobretudo entre março de 2024 a março de 2025, um intenso crescimento nos gastos com a mobilização sindical e a participação de delegações da Unifesp nos eventos sindicais nacionais[2]. Isso obviamente decorreu do necessário esforço de mobilização durante a Campanha Salarial 2024-2026, cujo período culminante girou em torno da greve de 2024. O Comando Local de Greve (CLG), eleito na Assembleia Geral da Adunifesp em fins de abril (quando a adesão à greve fora aprovada) passou a, de facto, dirigir todos os trabalhos de mobilização sindical – implicando numa série de gastos com panfletos, faixas, ônibus, viagens de representantes do CLG Unifesp no Comando Nacional de Greve (CNG) do Andes e nos atos em SP bem como em Brasília, incluindo a participação junto à Mesa Nacional de Negociação. Tais desembolsos seguiram relativamente mais altos do que o normal mesmo nos meses subsequentes ao encerramento formal da greve, devido à necessária participação mais ampla da Adunifesp nos eventos nacionais do Andes que deram acompanhamento às negociações e à luta pelo cumprimento da pauta acordada na greve.

Dívidas judiciais passadas

Esta gestão foi também confrontada por duas obrigações judicial-institucionais geradas no passado relativamente distante, mas que se impuseram logo no início de seus trabalhos em agosto/dezembro de 2023.

A primeira delas decorreu de decisão judicial (prévia ao período do mandato desta diretoria) que havia obrigado a Adunifesp pagar uma dívida de cerca de 100 mil reais à Unifesp[3]. Outro desafio que está se encaminhando, embora ainda não por completo resolvido, é a exigência da Procuradoria da Adunifesp em cobrar aluguel pelo uso da Sede da Adunifesp (sobrado na rua Napoleão de Barros, 841). Algo que a diretoria está procurando negociar com a Reitoria e a Procuradoria da Unifesp por meio de um acordo de cooperação através do qual tal aluguel possa ser pago mediante serviços que a Adunifesp (por meio de seus funcionários e diretores) prestaria à Universidade em termos da gestão, administração e impulsionamento da “Casa do Professor” – um projeto cultural/acadêmico/social a ser oferecido à Universidade, sua comunidade e mais amplamente.

Saldo negativo: causas e soluções

Recapitulando: com o crescimento das receitas sendo superado pelo das despesas, a Adunifesp enfrentou déficits em sua conta neste biênio 2024-2025. Este iniciou-se já com uma receita rebaixada – por ter sofrido relevante declínio de meados de 2020 até fins de 2023. A recuperação dessas receitas – possível com alguma elevação na sindicalização no período da greve 2024 e com a recuperação salarial decorrente do reajuste obtido com a mesma – não foi contudo suficiente para compensar as despesas, cuja elevação essencialmente se deu por três motivos: a elevação inflacionária dos gastos do dia a dia (incluindo as despesas com folha de funcionários da sede), os pagamentos extraordinários relativos à dívida judicial passada e os gastos extraordinários relativos às exigências da intensa mobilização num ano (2024) de campanha salarial e de greve nacional docente.

Com tudo isso, houve um saldo orçamentário negativo acumulado no período, algo cuja intensificação deu-se sobretudo durante o ano de 2024. A dinâmica temporal (semestral) das receitas e despesas totais, bem como de seus saldos, estão ilustradas na Figura 3 abaixo.

Com a liquidação da referida dívida e com seguidos déficits mensais, portanto, o estoque de caixa da Adunifesp sofreu uma redução. Se em 31 de julho de 2023 (sem correção inflacionária), a Adunifesp tinha em caixa R$ 399.390 alocados em conta bancária (R$ 72.807 em conta corrente e R$ 362.583 em um fundo de investimento), ao final do atual biênio, em 31 de julho de 2025, o caixa da entidade reduziu-se aos R$ 153.546 (R$ 59.601 em conta corrente e R$ 93.945 no fundo). As tabelas a seguir ilustram essa dinâmica no decorrer dos últimos dois anos.

As duas primeiras tabelas (uma é a continuação da outra) apresentam os dados mensais das receitas, bem como das despesas – estas detalhadas e subdivididas nos três grupos de gastos: (i) com mobilização e política sindical, (ii) com o custeio da manutenção quotidiana da sede da Adunifesp e (iii) com a equipe de (três) funcionários que trabalham à Adunifesp. A terceira tabela detalha os gastos do Comando Local da Greve Docente da Unifesp, que – eleito com representantes de todos os campi na Assembleia Geral de docentes da Adunifesp do dia 24/04/2024 – funcionou durante todos os 54 dias da greve na Unifesp (de 29/04 a 21/06). Tais despesas, bem como outras a elas diretamente relacionadas foram inteiramente custeadas pela Adunifesp.

Campanha de Sindicalização e de recuperação orçamentária da Adunifesp

Os dados mostram que o déficit médio mensal – sem considerar a despesa da execução judicial (de R$ 95.892) referente ao processo da dívida à Unifesp de limpeza da sede da Adunifesp – é de R$ 7,7 mil. Como a receita mensal com as contribuições dos 798 associados tem ultimamente girado em torno de R$ 58,2 mil (R$ 73 por colega afiliado em média), o reequilíbrio das contas pode ser obtido com a sindicalização de 97 novos colegas. Ainda que possa parecer ousada, uma meta dessas pode tornar-se absolutamente exequível se estiver inserida na mobilização geral de uma robusta e animadora Campanha de Sindicalização Rumo ao 50º Aniversário da Adunifesp (outubro de 2026). Claro que se pode também zerar o déficit mensal até com menos filiações, caso esse esforço seja combinado a um plano de racionalização de despesas no médio prazo e de redução emergencial das mesmas no curto prazo – sem qualquer prejuízo à capacidade de intervenção e mobilização sindical da Adunifesp. Esse tema, que está além do objetivo desta prestação de contas, estará certamente na pauta das reuniões da próxima diretoria, bem como na das próximas Assembleias Gerais de desta seção sindical.

 

 

 

[1] Controller Assessoria Técn. Empr. Ltda.

[2] Nota-se na 1ª Tabela que houve suspensão dos repasses ao Andes-SN de outubro a dezembro de 2023. Isso decorreu da impossibilidade de mobilização da conta bancária da Adunifesp enquanto não se efetivava o registro em cartório da nova diretoria. Esta – impossibilitada, assim, de movimentar a conta bancária da entidade nas semanas iniciais da gestão – garantiu (por meio de antecipação etc) apenas o acerto das obrigações mais essenciais e urgentes. As demais despesas (incluindo o repasse ao Andes) tiveram seus pagamentos postergados – sempre mediante acordo negociado com as contrapartes. Assim que, com a efetivação do registro cartorial, a Adunifesp retomou o pleno acesso a seus recursos bancários, todas as contas postergadas foram imediatamente quitadas – como é o caso do repasse ao Andes, cujos valores devidos (de out a dez de 2023, bem como o de jan2024) foram pagos de uma só vez logo no início de 2024 (2ª Tabela).

[3] A dívida refere-se a uma ação judicial perdida (em várias instâncias), a qual obriga a Adunifesp a pagar pelo valor (acrescido de juros acumulados nos vários anos de tramitação processual) de serviços de limpeza de sua sede durante um período ocorrido já há quase duas décadas atrás. Embora judicialmente o acordo de pagamento da dívida fora concluído nos estertores da gestão 2020-2023, só foi permitido (pela Justiça) efetivar sua liquidação contábil em 2024. Para fins ilustrativos, contudo, a Tabela (1ª) em anexo apresenta tal pagamento como se ele tivesse sido realizado em julho de 2023; ou seja, imediatamente antes do início da gestão 2023-2025: como o acordo foi celebrado pela diretoria anterior, considera-se ele (ilustrativamente apenas) como algo prévio à atual gestão.