O recesso acadêmico de dezembro se aproxima, mas sabemos que, para muitos docentes, o silêncio nos corredores é frequentemente preenchido pela pressão invisível de prazos, submissões e planejamentos. No entanto, é preciso dar nome ao que vivemos: o que parece uma “escolha individual” por produzir nas férias é, na verdade, reflexo de uma lógica de trabalho precarizante que invade nossos tempos de vida.
Diferente do que prega o produtivismo sistêmico, o tempo livre não é uma “concessão” da instituição ou um “intervalo fisiológico” para recarregar baterias e produzir mais depois. O direito ao descanso é uma vitória histórica do movimento sindical. É fruto da luta da classe trabalhadora para limitar a exploração e garantir que a vida não seja reduzida apenas ao ofício.
Uma queixa central da nossa categoria é a ausência de espaços neutros de convivência na universidade. Entre departamentos (onde o trabalho domina a pauta) e corredores (onde o fluxo é de atendimento e ensino), a descompressão docente acaba sendo empurrada para o isolamento individual ou para fora dos muros do campus.
Reivindicar o descanso é também reivindicar o direito a uma universidade que acolha a pausa e o encontro social entre pares, sem a mediação constante de metas e métricas.
Não podemos aceitar o esgotamento como algo natural da carreira. A melhoria do ambiente de trabalho e a prevenção à saúde são responsabilidades institucionais.
📌 Lembre-se: Em cada campus da Unifesp, temos a CISSP (Comissão Interna de Saúde do Servidor Público). Ela é o órgão oficial para propor mudanças estruturais nas nossas condições de trabalho. Fortalecer a CISSP é garantir que nossa saúde não seja tratada apenas como um problema individual, mas como uma política de Estado.
Neste recesso, a Adunifesp convida você a exercer o seu direito à desconexão. Que o tempo de lazer seja vivido em sua plenitude, como um ato de resistência contra a precarização e em defesa da vida.
Bom descanso a todas e todos! Adunifesp-SSind
