Arquivo diários:12 de agosto de 2014

Encontro Nacional define plataforma de lutas em defesa da Educação Pública

Durante três dias, mais de dois mil representantes de movimentos sociais, sindicais e populares de todo o país debateram os rumos da educação no Brasil

Os gritos uníssonos de “10% do PIB para a Educação Pública, Já!” marcaram o término do Encontro Nacional de Educação (ENE), realizado no Rio de Janeiro, neste final de semana (8 a 10). Durante três dias, mais de dois mil participantes, vindo de todas as regiões do Brasil, se reuniram no Rio de Janeiro para discutir ações de luta em resposta ao processo de aprofundamento da precarização e mercantilização da educação pública no Brasil.

A plenária de encerramento do ENE teve início com a leitura dos resultados dos grupos de discussão, realizados durante a tarde de sábado, e apresentados pelos relatores. Todas as propostas apresentadas serão incluídas nos anais do Encontro e servirão de base para as discussões dos próximos encontros e debates. Segundo informe da mesa, coordenada por Paulo Rizzo, diretor do ANDES-SN, após o ENE será elaborada uma cartilha com a plataforma de lutas em defesa da educação apontada pelo encontro.

Moções de apoio à luta dos trabalhadores da educação no México, ao povo palestino, à greve das universidades estaduais de São Paulo, que neste domingo completa 75 dias, à greve dos trabalhadores da educação do Piauí, contra a criminalização dos movimentos sociais, entre outras, foram apresentadas durante a plenária.

Ao final, foi feita a leitura da carta do Rio de Janeiro, manifesto do Encontro Nacional de Educação, que traz a sistematização dos sete eixos que nortearam os debates tanto do evento nacional quanto dos encontros preparatórios, realizados no primeiro semestre deste ano. No documento, aclamado pela plenária, os participantes indicaram a constituição de comitês estaduais em defesa da escola pública, a realização, nos estados, na segunda quinzena de outubro, de um dia de luta em defesa da educação pública e a realização, em 2016, do II Encontro Nacional de Educação, precedido de encontros estaduais.

Para Samantha Lopes, coordenadora-geral do Sinasefe, que fez a leitura do manifesto, o documento inaugura um novo marco de aglutinação dos trabalhadores da educação e dos estudantes na perspectiva de pautar a construção de um projeto de educação construído pelos trabalhadores e para os trabalhadores. “Agora é dar continuidade nesse espaço de unidade e começar a materializar um projeto de educação do povo brasileiro, construído nesses moldes”, apontou.

Na avaliação de Paulo Rizzo, o ENE foi, em todos os sentidos, uma vitória, porque é resultado de um processo de discussão que envolveu milhares de pessoas pelo Brasil afora, sobretudo no último mês, debatendo as demandas da educação pública, buscando se contrapor às lógicas privatizantes da educação no país.

“Ao reunir mais de duas mil pessoas, dois mil lutadores em defesa da educação pública, o encontro teve uma unidade muito grande nas discussões e expressou maturidade na aglutinação de forças. Foi um espaço de unidade na ação, no qual as divergências existem, mas são trabalhadas, e se priorizou o que é unitário para construir o enfrentamento às políticas governamentais e à visão privada da educação. Creio que, a partir de agora, vamos ter a possibilidade de repercutir muito mais as lutas em defesa da educação pública, gratuita, de qualidade, laica e socialmente referenciada”, destacou o coordenador da mesa da plenária final.

Fonte: ENE

E a greve continua: USP e Unesp reafirmam a continuidade do movimento

A Unesp e a USP realizaram, ao longo da semana passada, plenárias ampliadas para avaliar as condições para a manutenção da greve, mesmo depois da decisão dos docentes da Unicamp, na quinta-feira (31), de suspender a paralisação frente à aceitação do abono de 21%, proposto pelo reitor José Tadeu Jorge. O cenário atual é de continuidade da greve entre os técnico-administrativos na Unicamp, conforme deliberação do Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos (STU), entre os docentes e técnico-administrativos da USP, tendo crescido a força do movimento diante do anúncio de medidas repressivas por parte do reitor Marco Antônio Zago, e também entre os docentes da Unesp.

No dia 14 de agosto, quinta-feira, será realizado um ato-passeata unificada diante do Palácio dos Bandeirantes, em defesa de mais recursos para a educação, em geral, e para as universidades estaduais, em particular. O tema da mobilização será “Defesa da educação pública e de mais recursos para as universidades”.

No final da tarde da segunda-feira (4), os representantes das ADs, presentes na Plenária Estadual da Adunesp, e do Sintuesp reuniram-se com a vice-reitora no exercício da Reitoria da Unesp, professora Marilza Vieira Cunha Rudge, com o intuito de negociar o reajuste da data-base e o conjunto da Pauta Unificada. A reitora apenas anunciou a proposta de aplicar na Unesp o mesmo abono concedido pelo reitor da Unicamp: 21% sobre os salários de julho, condicionado ao término da greve na totalidade dos campi da Unesp, em parcela única. Também reafirmou a proposta de reajuste no vale-alimentação da Unesp dos atuais R$ 600para R$ 850.

“O que conseguimos até o momento não está à altura do movimento grevista e da universidade que queremos. Não continuar a greve é aceitar o rebaixamento do salário e o sucateamento da Universidade Pública”, aponta o boletim da Adunesp, de 4 de agosto, com o resultado da plenária ampliada dos docentes. A categoria deliberou pela manutenção da greve, com objetivo de fazer crescer mais ainda o movimento.

Em relação à Universidade de São Paulo, a Assembleia Geral Permanente da Associação dos Docentes da USP, realizada na quinta-feira (7), deliberou também pela continuidade da greve. A assembleia foi a maior plenária da categoria desde o início da paralisação, em 27 de maio. No espaço, foram da mesma forma aprovadas as propostas de solidariedade aos funcionários técnico-administrativos que tiveram seus salários descontados, por meio de duas iniciativas: doação de até R$ 35 mil reais, na forma de mil cestas de alimentos, e apoio à divulgação entre os docentes da conta bancária do Sintusp, que arrecada contribuições ao Fundo de Greve da entidade.

Fonte: ANDES-SN com informações das Seções Sindicais Adunesp e Adusp