Arquivo mensais:julho 2012

Servidores Federais vão às ruas em ato unificado em várias capitais exigir negociação

Com o mote “Chega de enrolação, negocia Dilma!”, os servidores públicos federais ocuparam as rua em várias capitais do país em ato unificado de protesto ao descaso do governo com os servidores públicos federais. A greve em diversas categorias já passa de 40 dias. As atividades foram organizadas pelas centrais sindicais CSP-Conlutas, CTB e CUT, junto com diversas entidades representativas das categorias do funcionalismo federal.

Ontem (30), o Ministério do Planejamento cancelou as reuniões de negociação agendadas para esta terça (31) com diversas categorias e com o Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (SPF), que reúne 31 entidades.

A data de 31 de julho havia sido apontada pelo governo como limite para apresentar uma proposta aos servidores. Em ofício enviado às entidades, o Planejamento remeteu as negociações para a semana entre 7 e 13 de agosto. “De novo, desrespeitando os prazos por eles mesmos impostos, os representantes do Executivo adiam mais uma vez a negociação com os servidores”, aponta Marina Barbosa, 2ª Secretaria do ANDES-SN.

A unidade da mobilização no país todo demonstra que o movimento grevista segue forte, apesar do endurecimento do governo com ameaças de corte de ponto e substituição dos servidores em greve. Os atos reuniram as diversas categorias do funcionalismo federal como trabalhadores do setor da Educação, das Agências de Regulação, do INCRA, da Fiocruz, dos ministérios do Planejamento, Turismo, Justiça, Educação, entre outros.

Brasília

Na capital do país, os servidores de diversas categorias ocuparam duas faixas da Esplanada dos Ministérios, em manifestação que reuniu mais de 1500 pessoas. Trabalhadores do Movimento Sem Terra do Distrito Federal se uniram aos servidores e marcharam da Catedral ao Ministério da Fazenda.

Rio de Janeiro

Cerca de mil servidores, saíram em passeata no centro da capital fluminense. A concentração aconteceu na Candelária e de lá os manifestantes seguiram para a Assembléia Legislativa do estado.

São Paulo

Em São Paulo, o ato unificado reúne os diversos segmentos dos servidores públicos federais, além de estudantes e trabalhadores da iniciativa privada. A concentração é no vão central do MASP, de lá os manifestantes caminham até o escritório da Presidência da República, em frente à estação de metrô Consolação, na ocasião será protocolado um documento cobrando respostas à pauta de reivindicação dos SPFs.

Porto Alegre

Mais de 400 servidores federais de diferentes instituições bloquearam por uma hora nesta manhã, a ponte sobre o Rio Guaíba, em Porto Alegre. Os manifestantes se deslocaram, pela avenida Castelo Branco, até o Largo Glênio Peres, no Centro da capital gaúcha, para o encerramento do protesto.

Manaus

Na capital do Amazonas, uma passeata reuniu cerca de 200 servidores com faixas, panfletos e cartazes. O ato teve início em frente ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), localizado na avenida Sete de Setembro, no Centro, e foi até o Largo do Mestre Chico.

Recife

Os servidores federais de Pernambuco realizaram uma manifestação na Praça da Independência, no bairro de Santo Antônio. Com cartazes, faixas e até mesmo um boneco da presidente Dilma Rousseff, cerca de 300 pessoas participaram do ato.

Durante todo dia, atividades de protesto à falta de disponibilidade do governo em negociar a pauta dos servidores estão ocorrendo em várias outras capitais do Brasil.

Fonte: ANDES-SN

Assembleia dos docentes da Unifesp rejeita segunda proposta do governo e greve continua

Na última sexta-feira (27), os docentes da Unifesp reunidos em Assembleia Geral no campus São Paulo rejeitaram a segunda proposta do governo à categoria e aprovaram a continuidade da greve. A deliberação segue orientação do Comando Nacional de Greve do ANDES-SN e acompanha a posição de quase quarenta assembleias de outras instituições. A decisão foi tomada por cerca de 70 votos a favor e apenas 1 contra. Até o momento, apenas a plenária da UFSCar teria aprovado a proposta do governo. A greve começou no dia 17 de maio e atinge 57 das 59 universidades federais.

A avaliação geral é de que tal proposta não só não reestrutura a carreira como reivindicam os professores, como em muitos aspectos desestrutura a carreira atual. Além disso, muitos pontos polêmicos – alguns considerados inegociáveis – contidos na primeira proposta do governo, apresentada em 13 de julho, como a forma de avaliar o trabalho docente e quais seriam os critérios para a progressão na nova carreira, seriam decididos por um Grupo de Trabalho que funcionaria nos próximos meses. A proposta foi considerada por alguns docentes como um “cheque em branco” para o governo decidir tais questões.

Representantes dos docentes e do governo devem se reunir na próxima quarta-feira (01), às 21 horas, quando devem continuar as negociações. A próxima Assembleia Geral dos Docentes da Unifesp será realizada na segunda-feira (06), às 11 horas, no Anfiteatro A, do campus São Paulo (rua Botucatu, 740, subsolo). Até lá, os professores devem realizar assembleias locais nos campi da Unifesp.

Confira fotos da Assembleia aqui.

Confira algumas matérias publicadas sobre a continuidade da greve na imprensa:
1. http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2012-07-27/professores-da-unifes…

2. http://noticias.r7.com/educacao/noticias/em-votacao-professores-da-unife…

3. http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/07/professores-da-unifesp-dec…

4. http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/07/professores-da-unifesp-dec…

5. http://www.dgabc.com.br/News/5971394/ufabc-e-unifesp-decidem-continuar-c…

6. http://www1.folha.uol.com.br/educacao/1126985-em-assembleia-professores-…

7. http://www1.folha.uol.com.br/educacao/1126985-em-assembleia-professores-da-unifesp-e-da-ufabc-decidem-manter-greve.shtml

8. http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/07/27/docentes-da-ufabc-e-da-un…

9. http://www.viomundo.com.br/politica/marinalva-oliveira-nao-ha-perspectiva-de-fim-da-greve-nas-universidades.html

10. http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/impasse-deve-continuar-na-greve-das-universidades-federais.html#more-14601

11. http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/explicando-a-greve-dos-professores

Funcionalismo federal realiza ato unificado nesta terça-feira (31)

O funcionalismo federal realiza mais um Dia Nacional de Luta nesta terça-feira, 31 de julho. De norte a sul do país estão previstos atividades e mobilizações. Em São Paulo um ato unificado reunirá os mais diversos segmentos dos servidores públicos federais, além de estudantes e trabalhadores da iniciativa privada. O objetivo é aumentar a pressão sobre o governo da presidente Dilma.

A concentração será a partir das 14 horas, no vão central do MASP. De lá os manifestantes sairão em caminhada até o escritório da Presidência da República, em frente à estação de metrô Consolação. Na ocasião será protocolado um documento cobrando respostas à pauta de reivindicação dos SPFs.

Com o mote “Chega de enrolação, negocia Dilma!”, os trabalhadores irão parar os grandes centros em todo o país e dar o seu recado. Vale ressaltar, que depois de três meses, e oito rodadas de negociações infrutíferas, os servidores não tiveram alternativa e deflagraram a greve.

A greve do funcionalismo segue forte, apesar das tentativas do governo federal de intimidar e dividir o movimento. A falta de habilidade da Presidente Dilma fica cada vez mais evidente na postura intransigente, desrespeitosa e autoritária adotada com a categoria, em particular com os setores que aderiram ao processo grevista.

No dia 31/07, também, está agendada uma reunião do fórum das entidades nacionais dos SPFs com a Secretaria de Relações do Trabalho (SRT) do MPOG e espera-se a apresentação de uma proposta efetiva para a categoria.

A pauta unificada do funcionalismo reivindica reajuste de 22,08%, manutenção das 30 horas sem redução de salário, concurso público, melhores condições de trabalho, mais verbas para o setor público, não à privatização e suspensão de projetos que retiram direitos dos servidores.

O ato na capital paulista irá reunir professores e técnicos administrativos, judiciário, funcionários do Banco Central, Saúde Federal, Agências Reguladoras e DNPM, Incra, Ministério do Trabalho e Emprego, IBAMA, entre outros. A atividade também conta com o apoio dos estudantes e trabalhadores da GM (ameaçados de demissão).

Fonte: Sindsef-SP

Assembleia dos docentes da Unifesp debate nova proposta do governo nesta sexta (27)

Os docentes da Unifesp voltam a se reunir nesta sexta-feira (27), às 11 horas, com o intuito de debater a nova proposta apresentada pelo governo federal à categoria na última terça-feira. A avaliação do Comando Nacional de Greve do ANDES-SN é de que tal proposta não muda a “essência” da primeira apresentada na sexta-feira (13) e que foi unanimemente rejeitada nas assembleias realizadas nas universidades federais na semana passada. A Assembleia Geral acontece no Anfiteatro A, do campus São Paulo da Unifesp (Rua Botucatu, 740, subsolo).

As primeiras plenárias Brasil a fora já demonstram uma provável rejeição da proposta e a continuidade da greve, como aconteceu nas universidades federais da Bahia, Paraíba, Pernambuco, Uberlândia, Triângulo Mineiro e Pelotas. A paralisação dos professores do ensino superior começou no dia 17 de maio e atinge 57 das 59 universidades. A principal reivindicação é a reestruturação da carreira docente, uma das mais desprestigiadas dentro do serviço público federal. Além dos docentes, estudantes e servidores técnico-administrativos de diversas instituições também estão em greve, demonstrando um profundo descontentamento com as atuais condições de educação e trabalho.

Assembleia Geral dos Docentes da Unifesp
Quando: Sexta-feira (27), às 11 horas
Onde: Anfiteatro A, do campus São Paulo da Unifesp (Rua Botucatu, 740, subsolo)
Pauta: Apresentação e discussão da nova proposta do governo à categoria docente

Governo reapresenta proposta e mantém a desestruturação da carreira

Em uma reunião que durou mais de cinco horas, representantes do governo apresentaram na tarde desta terça-feira (24) algumas modificações pontuais na proposta anterior e ajustes internos nas tabelas de vencimento básico e retribuição por titulação da remuneração dos docentes das instituições federais de ensino, todas expressas em valores nominais. O secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, iniciou a reunião afirmando que, na essência, a proposta não apresentava diferenças da anterior.

“Ou seja, mantém a carreira desestruturada”, resume a presidente do ANDES-SN, Marinalva Oliveira. Essa nova versão da proposta do governo será avaliada pela categoria em assembleias gerais marcadas para os próximos dias.

O que o governo fez foi aumentar os recursos disponíveis, de R$ 3,9 bilhões para R$ 4,2 bilhões em três anos e, com isso, promoveu alguns ajustes na tabela, atendendo, principalmente, os docentes com mestrado, que teriam as perdas maiores na proposta anterior.
Para o ANDES-SN, a categoria, ao rejeitar unanimemente nas assembleias a primeira proposta do governo, o fez por três motivos: por discordar da desestruturação da carreira, por entender que ela traria perdas salariais quando considerada a inflação entre 2010 e 2015 e por entender que a proposta feria a autonomia universitária, ao impor barreiras no desenvolvimento da carreira incompatíveis com a atividade acadêmica.

“Desses três pontos, podemos dizer que o governo faz um aceno na questão das barreiras, mas, mesmo assim, remete para uma discussão em grupos de trabalho e nós sabemos que esses GTs não têm credibilidade. Dois exemplos são o GT criado em 2008, que nunca funcionou, e o GT carreira, criado em agosto do ano passado que não foi concluído e  cujas discussões o governo não levou em conta ao elaborar a atual proposta”, avalia o 1º vice-presidente do ANDES-SN, Luiz Henrique Schuch.

“A desestruturação continua, sem nenhuma relação lógica na evolução entre os níveis e as classes, os regimes de trabalhos e as titulações, desconstituindo direitos, e para a maioria dos docentes as alterações salariais são apenas nominais, pois não acompanham sequer a inflação”, afirma Schuch.

Ele argumenta de que, ao contrário do que anuncia o governo, não há uma valorização da titulação, na medida em que essa gratificação não será incorporada ao salário e, portanto, não será constitutiva de direitos.

Durante todo o período da reunião – que começou pouco depois das 15h e terminou às 21h, incluindo um intervalo de meia hora para que as entidades analisassem a proposta  ̶  o clima foi de bastante tensionamento, inclusive para a definição da próxima data em que se dará a continuidade das negociações. Nesse espaço de cinco horas, um grupo de participantes dos comandos nacionais de greve do ANDES-SN, Sinasefe e dos estudantes esteve em vigília em frente ao prédio do Ministério do Planejamento. No final da reunião, os diretores deram informes do que aconteceu e a reação entre os presentes foi de indignação com o que foi apresentado.

Além de Sérgio Mendonça, também representaram o governo na reunião, o secretário de Educação Superior, Amaro Lins, o secretário de Educação Técnica e Tecnológica, Marco Antônio Oliveira, entre outros técnicos. Os docentes estavam representados pelo ANDES-SN, Sinasefe e representantes de seus respectivos Comandos Nacionais de Greve, além do Proifes.

Ficou agendado que na próxima quarta-feira dia 1º de agosto, as 21h, haverá nova reunião para que as entidades possam trazer posicionamentos a partir da manifestação da categoria.

Fonte: ANDES-SN

Greve nas federais: O jornalismo cego às armadilhas oficiais

Por Sylvia Debossan Moretzsohn* para o site da Revista Caros Amigos – O que dizer de um noticiário que dá de manchete exatamente o contrário da informação correta? Foi o que ocorreu na cobertura da coletiva convocada pelo governo, no fim da tarde de 13 de julho, para anunciar a proposta com a qual pretende pôr fim à greve nas universidades e institutos federais de ensino, que já dura mais de dois meses. O noticiário revelou mais uma vez a submissão dos jornalistas às fontes oficiais e a absoluta ausência de apuração própria resultou em matérias que induzem a erro e anunciam o oposto do que a proposta significa. Pois, em vez do alardeado reajuste, os professores terão perda salarial, como se verá. E não apenas isso: o plano de carreira embute armadilhas que, se confirmadas, significarão um retrocesso aos tempos da ditadura.

Comecemos, porém, pelos aspectos mais evidentes da cobertura.

Uma primeira comparação entre as capas de dois dos principais jornais do país já levaria a algum arquear de sobrancelhas: enquanto O Globo alardeia em manchete “Governo cede e aumenta professores em até 48%”, a Folha de S.Paulo dá chamada de capa com um índice menor: “Governo propõe reajuste de até 40% a docentes das federais”. A discrepância se deve a opções diferentes entre os jornais – o maior índice se refere a professores de institutos federais, e não de universidades – e ao cuidado do jornal paulista em abater, do índice anunciado, o reajuste de 4% já pago aos docentes de universidades no contracheque de maio, retroativo a março, conforme acordo estabelecido no ano anterior.

Ainda assim, ambos os jornais associam os números exuberantes aos cargos de “maior titulação”, sem explicar que esse reajuste máximo atinge apenas o restrito grupo de professores titulares. Entre doutores com regime de dedicação exclusiva, tanto adjuntos quanto associados (e essa diferença é relevante, porque os associados ganham substancialmente mais), o índice fica na faixa dos 30%.

Fazendo contas

Os jornais informam corretamente que os reajustes serão concedidos parcialmente, ao longo dos próximos três anos. Porém,não alertam para o essencial: que se trata de um percentual bruto, do qual, obrigatoriamente, deveria ser descontada a previsão de inflação para o período. E é aí que fica clara a primeira armadilha da proposta: não se trata de oferta de reajuste, mas da imposição de uma redução salarial, na maioria dos casos.

Há muitos anos, um renomado colunista de economia, convidado a dar uma palestra para estudantes de jornalismo, surpreendeu – e provavelmente decepcionou – a plateia ao responder à pergunta inevitável sobre a preparação dos jovens para a profissão: não repetiu a ladainha de sempre sobre a necessidade de leitura dos clássicos; disse que um bom jornalista precisa saber fazer contas.

Essa tarefa, infelizmente, continua restrita aos especialistas, como o professor Wagner Ferreira Santos, do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Sergipe. Ele fez essas contas e disponibilizou o resultado num artigoem que demonstra o engodo de se comparar valores em períodos distintos sem considerar o índice de inflação correspondente, normalmente calculado pelo IGP-M. Com base nesse índice, ele projeta uma inflação de 20% até 2015, de modo que, assim (re)ajustada, a remuneração da grande maioria dos professores (mestres e doutores com dedicação exclusiva, que compõem a esmagadora maioria nas universidades públicas) sofreria, de fato, perda de 0,4% a 11,9%, conforme a titulação e o nível de carreira. Reajuste, a rigor, só para o professor titular (5,9%, nesse percentual corrigido) e para o doutor adjunto nível 4 (1%), como se pode conferir nas tabelas publicadas em seu artigo.

Para esclarecer, o professor argumenta, como se passasse uma tarefa a seus alunos: “Como exercício de fixação, façamos cálculos análogos com o salário mínimo, que é referência para a maioria da população brasileira. Primeiro, mostre que os atuais R$ 622 são realmente maiores que os R$ 510 de julho de 2010. Agora, a pergunta capciosa: se o governo anunciasse hoje que o salário mínimo sofreria aumentos consecutivos em três parcelas, chegando a R$ 700 em julho de 2015, você aceitaria?”.

Papagaios das fontes

Os jornalistas presentes à coletiva não apenas não fizeram essas contas como nem sequer indagaram por que a proposta anunciava percentuais brutos e ignorava a inflação projetada para o período. Seria o comportamento elementar de qualquer repórter minimamente qualificado e interessado em trabalhar com dados corretos para divulgar informações confiáveis. Ainda que se considere que o governo, espertamente, venha convocando suas coletivas mais problemáticas para o fim da tarde, quando já não sobra muito tempo para que os jornalistas analisem adequadamente os dados que precisam divulgar “em tempo real”, nos sites e no noticiário radiofônico e televisivo. Mesmo que não obtivessem a informação precisa, os repórteres poderiam relativizar o que receberam, e não agir como porta-vozes oficiosos. Entretanto, o máximo que fizeram foi ouvir “o outro lado”, o dos dirigentes sindicais, e publicar breves declarações contrárias à proposta, mas tampouco esclarecedoras.

À parte a questão do reajuste, que inevitavelmente ganharia destaque no noticiário, há pelo menos outras duas armadilhas embutidas na proposta do governo para o plano de carreira nas universidades federais, como se pode constatar aqui, e que sequer foram consideradas nas reportagens, como observou o professor Kleber Mendonça, chefe do Departamento de Estudos de Mídia da UFF. Uma delas, que já preocupava as entidades sindicais, é a de que todos os novos professores, independentemente de sua titulação, ingressarão no nível mais baixo da carreira, como auxiliares, e não poderão mudar de classe enquanto estiverem em estágio probatório (o período de três anos ao final do qual o profissional é confirmado ou desligado do cargo). Na prática, isso significa que aquele que já poderia estar recebendo como doutor ficará com remuneração inferior durante esses três anos. Note-se que os concursos, há muitos anos, vêm sendo abertos apenas para doutores, e só excepcionalmente para mestres. Ou seja, exige-se a titulação, mas a remuneração correspondente pode esperar.

É possível perder essa oportunidade tão clara de ironizar o discurso oficial de “valorização da carreira”?

Ironias da história

Além disso, a planilhacomparativa divulgada pelo governo mostra apenas os salários atuais (antes e depois do reajuste de 4% já concedido no mês passado, e retroativo a março) e os salários de 2015. O hiato de três anos até lá é apagado, mais ou menos como em certos anúncios imobiliários em que algumas ruas são suprimidas do mapa para dar a impressão de que o belo imóvel fica a poucas quadras da praia ou de um maravilhoso bosque. Quem olha as planilhas fica com a sensação de que os professores que recebem hoje, digamos, R$ 7.600 (adjunto 1, doutor com dedicação exclusiva), passarão logo a ganhar R$ 10 mil, quando esta é a remuneração para daqui a três anos.

A outra armadilha é que o governo propõe uma mudança no sistema de promoção “nos termos das normas regulamentares a serem expedidas pelo Ministério da Educação”. Portanto, propõe que os professores aceitem normas que desconhecem.

É de fazer inveja a Maquiavel.

Mas essa armadilha representa algo ainda mais grave, como lembrou o jornalista João Batista de Abreu, professor no Departamento de Comunicação da UFF: significa um retorno aos tempos da ditadura militar, quando não havia concursos públicos e a cada renovação de contrato os professores tinham que apresentar o famigerado atestado ideológico, emitido pelo DOPS. Quem estava respondendo a processo político não conseguia o documento. Depois da Lei da Anistia, em 1979, essa exigência caiu, mas um chefe de Departamento que não gostasse de determinado professor poderia simplesmente não renovar seu contrato.

João Batista, na época em início de sua carreira docente, recorda da greve iniciada em fins de 1980, que resultou na conquista desse aspecto fundamental da autonomia universitária que é a definição do sistema de ascensão funcional, através da constituição de comissões de progressão docentes, responsáveis também pela regulamentação das atividades do professor na instituição. “Se os critérios de progressão passarem a ser definidos pelo MEC”, diz João Batista, “voltaremos 30 anos no tempo”.

Seria uma dessas ironias da história se isso acontecesse, tendo em vista o passado dos atuais governantes. Mas a tentação autoritária é um fantasma sempre à espreita.

“Proposta definitiva”

Apesar de todas essas considerações, houve quem, embora com vasta experiência profissional – como a colunista de política da Folha Eliane Cantanhêde –, optasse por simplesmente reverberar as informações oficiais, afirmando tratar-se de uma “proposta definitiva”, esse absurdo lógico que ignora que uma proposta, por definição, é passível de negociação. Do contrário, trata-se de decisão, deliberação, imposição ou qualquer outro substantivo que expresse uma resolução unilateral de quem tem, ou pensa que tem, poder para agir dessa forma.

Para concluir, as reportagens não deixaram de notar o “impacto” de R$ 3,9 bilhões que essa “proposta definitiva” causará aos cofres públicos, ignorando oportunamente o teor da Medida Provisória 559, já aprovada pelo Congresso e dependendo apenas da sanção presidencial, segundo a qual o governo concede às instituições particulares de ensino R$ 15 bilhões sob a forma de renúncia fiscal.

Assim se faz o jornalismo de hoje, esse jornalismo que certa vez chamei “de mãos limpas”, porque se contenta em ouvir um lado, ouvir outro e lavar as mãos, deixando supostamente a conclusão para o público. Não é difícil imaginar a que tipo de conclusão esse público poderá chegar, privado que está das informações elementares a partir das quais poderia elaborar algum raciocínio minimamente fundamentado. Não por acaso tantos colegas professores receberam congratulações de parentes e amigos diante da expectativa do magnífico reajuste. Precisaram pacientemente desfazer o equívoco, para espanto de quem acreditou nos jornais.

Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense.

Governo confirma nova reunião com docentes em greve para às 14h desta terça (24)

A reunião os professores em greve e o governo foi confirmada pelo Ministério do Planejamento para às 14 horas desta terça (24). A expectativa é que os membros do Executivo tragam para a mesa de negociação uma nova proposta, com base nas referências apresentadas pelos sindicatos nesta segunda (23) e absorvendo as críticas feitas à primeira proposta do governo.

O Comando Nacional de Greve (CNG) do ANDES-SN apresentou aos representantes dos ministérios da Educação e do Planejamento um documento (leia aqui) no qual explicam por que as assembléias docentes rejeitaram unânime e categoricamente a proposta feita na última sexta-feira (13), que entre outros problemas aprofunda a desestruturação da carreira dos professores federais, leva a perdas salariais e ainda fere a Leis de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e a autonomia universitária, garantida na Constituição Federal.

Há 69 dias em greve, os professores federais decidiram pela paralisação após várias tentativas de negociar com o governo a reestruturação do plano de carreira da categoria.

Em fevereiro de 2011, o ANDES-SN protocolou a sua proposta de carreira junto aos órgãos do governo e após várias reuniões não houve avanço nas negociações. No final de agosto do ano passado, os docentes firmaram um acordo emergencial com o governo que previa a formação de um grupo de trabalho para concluir o processo de reestruturação da carreira até 31 de março de 2012.

Considerando o desrespeito do governo com a categoria, que há tempos também vem denunciando os problemas infraestruturais e de condições de trabalho e estudo nas Instituições Federais de Ensino (IFE) os docentes deflagraram greve. A proposta apresentada no dia 13 de julho foi a primeira feita pelo governo desde o início da paralisação que engloba mais de 95% das IFE em todo o país.

Fonte: ANDES-SN

Docentes em greve voltam a se reunir com governo nesta terça-feira

Depois de ouvirem dos dirigentes sindicais que os docentes das Instituições Federais de Ensino (IFE) rejeitaram por unanimidade e de maneira categórica a proposta do governo, representantes do Ministério do Planejamento e da Educação presentes na reunião desta segunda-feira (23) com as entidades sindicais aceitaram marcar para esta terça-feira (24), uma nova reunião na qual o governo avaliará as críticas e sugestões apresentadas. Ainda nesta segunda-feira, o secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, e o secretário de Ensino Superior do MEC, Amaro Lins, vão se reunir com os ministros Mercadante e Miriam Belchior para debater a questão.

“Eles, os representantes do governo, se mostraram surpresos com o rotundo não que a categoria deu à proposta, mas, ao final da reunião, aceitaram ‘processar’ nas esferas internas do governo os argumentos colocados pelas entidades e ficaram de dar uma resposta amanhã, numa reunião que está pré-agendada para às 10h”, informou a presidente do ANDES-SN, Marinalva Oliveira, ao grupo de professores que acompanhou a reunião do lado de fora do Ministério do Planejamento. Cerca de 100 representantes do CNG do ANDES-SN, do Comando Local de Greve da UnB, do CNG do Sinasefe e do CNG dos Estudantes fizeram vígilia durante toda a reunião, em frente ao bloco C da Esplanada.

Proposta

A reunião, inicialmente marcada para às 14h, começou às 15h50 porque tanto Sérgio Mendonça quanto Amaro Lins estavam em outro encontro com os reitores dos Institutos Federais. Os dirigentes do ANDES-SN foram os primeiros a falar. Na ocasião, foi entregue o posicionamento do CNG/ANDES-SN acerca da proposta apresentada pelo governo (leia aqui).

Além de enumerar os problemas da proposta, o texto aponta um caminho de passos concretos, proposto pelo ANDES-SN, para que as negociações acerca da carreira docente possam avançar.  “Mostramos que a proposta do governo não tinha nenhum avanço e, pelo contrário, era um retrocesso à atual carreira que temos”, disse Marinalva.

Apesar de demorarem a aceitar que a proposta do governo era prejudicial para a categoria, os representantes do Executivo concordaram em avaliar, internamente, até onde é possível ir. Em entrevista dada à imprensa, Amaro Lins adiantou que o governo trabalha com a possibilidade de deixar algumas discussões para depois e pensa, para isso, na criação de grupos de trabalho.

Para a presidente do ANDES-SN, Marinalva Oliveira, a categoria deve continuar mobilizada. “O governo só apresentou uma proposta devido à nossa greve. Demos um não ao que foi apresentado, mas temos de continuar em greve e mobilizados para avançarmos”, avalia.

Nesta segunda-feira, a direção do ANDES-SN também protocolou no Ministério da Educação uma carta com a Pauta de Reivindicações relativas às condições de trabalho e estudo nas IFE.

Fonte: ANDES-SN

Reunião entre docentes e governo termina em impasse e continua nesta terça (24)

Na tarde desta segunda-feira (23), o Comando Nacional de Greve e o ANDES-SN se reuniram com representantes dos Ministérios do Planejamento e da Educação para retomar as negociações sobre a carreira docente. Seguindo a decisão das assembleias realizadas por todo o país, os representantes dos docentes rejeitaram a proposta do governo e apresentaram um documento que tenta nortear uma possível nova proposta do planalto. A reunião terminou em impasse e um novo encontro deve ocorrer amanhã (24).

A última sexta-feira (20) foi marcada por importantes atividades da greve dos docentes da Unifesp. Além de uma assembleia geral, docentes realizaram reuniões com parlamentares do Estado de São Paulo e uma coletiva de imprensa conjunta com professores da UFABC. Os docentes de ambas as universidades rejeitaram a proposta apresentada pelo governo e reivindicam a continuidade das negociações.

No mesmo dia, docentes das federais de São Paulo e do ABC se encontraram com o senador Eduardo Suplicy, com os deputadores federais Ivan Valente e Paulo Teixeira e com um assessor da senadora Marta Suplicy. O senador Suplicy participou do final da assembleia dos docentes da Unifesp, ouviu os diversos motivos de rejeição da proposta e se colocou à disposição para ajudar na retomada das negociações entre docentes e governo federal. Durante a assembleia, os professores da Unifesp discutiram propostas ao Comando Nacional de Greve, a serem apresentadas na reunião ocorrida hoje (23).

Representantes dos comandos locais de greve da Unifesp e da UFABC ainda concederam uma entrevista coletiva para alguns meios de comunicação com o intuito de explicar os motivos da rejeição da proposta do governo e a continuidade das negociações. Estiveram presentes os portais da internet G1, R7 e IG, o jornal O Estado de São Paulo e o blog Escrevinhador, do jornalista Rodrigo Vianna. Além disso, equipes dos canais de televisão Globo e Record captaram imagens da entrevista. Os docentes ainda conversaram por telefone com a Rádio Brasil Atual e a TV Cultura.

Confira as fotos das atividades de sexta-feira (20) clicando aqui.

Balanço das assembleias indica rejeição unânime à proposta do governo

CNG-ANDES-SN convoca tuitaço e vigília para esta segunda (23) – Neste momento histórico das lutas do ANDES-SN, as Assembleias Gerais das seções sindicais, realizadas no período de 16 a 20 de julho, rejeitaram massivamente a proposta apresentada pelo governo no último dia 13. “As deliberações reafirmam princípios e fundamentos da carreira do ANDES-SN, bem como a necessidade de melhoria das condições de trabalho e valorização salarial”, avalia o Comando Nacional de Greve do ANDES-SN (CNG).

No domingo (22), os docentes que compõem o CNG do ANDES-SN estiveram concentrados na sede do Sindicato Nacional, em Brasília, em preparação para a reunião com o governo, que será realizada nesta segunda (23), a partir das 14h.

Em comunicado, Comando Nacional de Greve do ANDES-SN reiterou “a necessidade de que seja intensificada a greve visando a fortalecer o CNG no processo de negociação”.

Para isso, convocou todos os professores e internautas, que apóiam a luta dos docentes em defesa da Educação Pública e de Qualidade e pela melhoria das condições de trabalho nas Instituições Federais de Ensino, a participarem de tuitaço nesta segunda-feira (23), preferencialmente das 12 às 14 horas, utilizando a hashtag #falaSerioMercadante.

Segundo o comunicado do CNG, as bases docentes do ANDES-SN permanecerão na luta, durante a semana, com nova rodada de assembleias locais para discutir e avaliar os resultados dessa nova reunião com o governo.

“Convocamos todos para participar de uma vigília nos estados durante todo o dia 23”, conclamam os docentes.

Fonte: ANDES-SN