Arquivo diários:6 de junho de 2012

Universidades federais em greve realizam ato no centro de São Paulo, na terça (12)

Uma manifestação das universidades federais em greve pela valorização da educação pública será realizada no centro de São Paulo, na próxima terça-feira (12). O ato contará com representantes de docentes, estudantes e servidores técnico-administrativos da Unifesp e da UFABC, e busca dialogar com a sociedade as principais reivindicações da paralisação que atinge instituições federais de ensino superior em todo país. A pauta central da greve nacional dos docente, já deflagrada em 51 das 59 universidades e institutos federais, é a valorização da carreira da categoria, uma das mais desprestigiadas dentro do serviço público. O ato será realizado em frente à BM&F Bovespa (rua XV de novembro, 275), a partir das 11 horas.

Ontem, terça-feira (06), uma marcha nacional reuniu mais de dez mil servidores em Brasília, reivindicando a valorização do serviço público federal. Após a passeata na Esplanada dos Ministérios, uma plenária reunindo 800 pessoas de diversas entidades sindicais aprovou uma greve geral do funcionalismo, a partir do dia 11 de junho.

Entre os sindicatos que aprovaram o início da paralisação está a FASUBRA, entidade nacional que representa os servidores técnico-administrativos das universidades federais. O fato pode representar  o início de uma greve geral em tais instituições como não se vê há mais de uma década. A greve estudantil já foi deflagrada total ou parcialmente em cerca de 30 federais e na Unifesp já atinge cinco dos seis campi.

No mesmo dia da Marcha, representantes do ANDES-SN se reuniram com o Ministro da Educação Aloizio Mercadante. Foi o primeiro encontro com o governo desde o início da greve nas universidades federais, em 17 de maio. O ministro informou que as negociações sobre a carreira com o Ministério do Planejamento continuarão e que uma nova reunião deve acontecer na próxima semana. Ele afirmou ainda que o prazo para as negociações é 31 de julho e que os resultados dependeriam do impacto da crise financeira internacional na economia do Brasil.

“A greve é forte e o chamado do Ministro para a reunião reafirma isso. Já são 51 instituições paradas. Nós queremos a reestruturação da carreira, para uma mais simples, que valorize o trabalho docente e permita oferecermos ensino de qualidade. Para isso precisamos também de condições de trabalho, de salas de aula, laboratórios, bibliotecas”, disse Marina Barbosa, presidente do ANDES-SN, em entrevista após a reunião.

(Com informações do ANDES-SN)

Assembleia dos docentes aprova moção de apoio à greve dos estudantes da Unifesp

A última assembleia geral dos docentes da Unifesp, que deliberou por unanimidade a continuidade da greve, também aprovou uma moção de apoio aos estudantes da Instituição, que por diversas reivindicações e em solidariedade aos seus professores, também paralisaram suas atividades acadêmicas. Atualmente, a greve estudantil já foi deflagrada em cinco dos seis campi da Unifesp. Em todo o país, as paralisações discentes já atingem total ou parcialmente mais de 30 universidades federais.

MOÇÃO DE APOIO DO MOVIMENTO DOCENTE À GREVE DOS ESTUDANTES DA UNIFESP

Os Docentes da Unifesp, reunidos em Assembleia Geral no dia 4 de junho de 2012, manifestam apoio à greve dos estudantes em defesa de uma Universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada, em um momento em que as Universidades Federais estão mobilizadas, com a maioria absoluta em greve de docentes e discentes.

As reivindicações do movimento docente se assemelham a dos estudantes, na defesa do ensino público gratuito e de qualidade para todos, de um plano de carreira que valorize o trabalho docente e de condições dignas de infraestrutura e de trabalho para todas as instituições federais.

Reconhecemos a capacidade de organização do movimento estudantil da Unifesp que levou a formulação de uma pauta de reivindicações de forma coletiva e diversificada.

O diálogo e a aliança entre os diferentes segmentos da universidade é fundamental para que a luta seja vitoriosa e as conquistas contribuam para o reconhecimento da importância da educação pública no Brasil.

Docentes reunidos em Assembleia Geral no dia 4 de junho de 2012

Servidores realizam Marcha histórica na Esplanada dos Ministérios

Mais de 15 mil servidores, de todos os cantos do país, percorreram na manhã desta terça-feira (5) a Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Em alguns momentos, a Marcha ocupava três faixas e toda a extensão da avenida. Nos discursos realizados durante a manifestação, foi unânime a posição de que ela mostrou a unidade dos servidores e foi o prenúncio de uma das maiores greves a ser realizada no serviço público.

“Demos uma demonstração de força com essa manifestação e com a greve que estamos construindo, tanto que o ministro da Educação recebeu nesta terça-feira o ANDES-SN”, afirmou no carro de som da Marcha a presidente do Sindicato Nacional, Marina Barbosa. “Estamos construindo uma greve histórica e com nossa força e unidade conseguiremos arrancar um plano de cargos e salários que realmente valorize os docentes”, afirmou.

A criatividade e as demonstrações de alegria dos manifestantes emocionaram os palestrantes.  “A Marcha está linda. As categorias responderam o chamado das entidades e estamos todos aqui. E, a partir do dia 11, nós, técnicos-administrativos das universidades, vamos nos juntar aos professores e estudantes em greve e faremos uma das maiores greves do setor da educação nessa país”, afirmou uma das coordenadora geral da Fasubra, Janine Teixeira.

“Os servidores estão dando uma resposta à altura à forma equivocada como o governo está respondendo à crise internacional, preferindo tirar recursos da saúde, educação e do serviço público ao mesmo tempo em que concede desonerações fiscais para setores do empresariado”, afirmou o representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Pedro Armengol. “Buscamos o diálogo e a negociação, mas o governo responde com desrespeito. Não vamos aceitar passivamente essa política. Não vamos aceitar que o factoide da despesa com pessoal seja massificado para a população como o grande problema do país”, completou.

O presidente do PSTU, José Maria, saudou os servidores “que lutam para mudar a política econômica do país” e em especial ao ANDES-SN, “que já está em greve”. José Maria argumentou que o mesmo governo que diz não ter recursos para investir em educação e saúde e para valorizar seus servidores, “baixou um pacote com incentivos fiscais para um dos setores mais rentáveis, que são as montadoras de automóveis. Só em 2011, segundo o Tribunal de Contas da União, deixou-se de arrecadar R$ 187 bilhões, sendo que foram cortados R$ 170 bilhões da saúde e da educação”, criticou.

O representante da CSP-Conlutas, Paulo Barela, lembrou que só este ano foram oito reuniões dos servidores com o governo que não avançaram uma vírgula. “Os docentes das instituições federais de ensino já encheram o saco e entraram em greve. E se até o final de junho a posição governista continuar a mesma, 90% dos serviços públicos federais irão parar”, advertiu.

Até deputados da base do governo se fizeram presente para mostrar solidariedade ao governo. “Não podia deixar de vir aqui e afirmar a minha insatisfação com o processo de negociação do governo com os servidores” afirmou a deputado Érica Kokay (PT/DF). Ela também responsabilizou o ministério do Planejamento e do Palácio do Planalto pelas greves no serviço público. A deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ) também participou da Marcha e saldou os servidores pela greve que estão construindo. “Vocês estão de parabéns pela vigorosa manifestação que organizaram hoje”, elogiou.

Fonte: ANDES-SN