Arquivo diários:5 de junho de 2012

Após 20 dias de greve, MEC chama professores federais para reunião

Diretores do ANDES-SN e representantes do Comando Nacional de Greve dos professores federais foram recebidos nesta terça-feira (5) pelo Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, durante a manifestação dos servidores públicos federais na Esplanda, que reuniu mais de 15 mil servidores. Esta foi a primeira reunião do Comando Nacional de Greve com representantes do governo desde que a paralisação foi iniciada há 20 dias.

Mercadante informou aos docentes que o processo de negociação seguirá e que o Ministério do Planejamento deve voltar a se reunir com as categorias na próxima semana. No entanto, o Ministro ressaltou a questão do prazo de 31 de julho e disse que é necessário aguardar o desdobramento da crise financeira internacional para avaliar o impacto que terá na economia do país.

O ANDES-SN destacou que o tempo é uma questão política e que, agora, com o argumento do impacto no orçamento o governo está deturpando o método negociado e invertendo a lógica do que foi firmado no acordo emergencial de 2011, que prevê discutir primeiro a estrutura da carreira docente e depois o quanto a reestruturação irá custar e em quanto tempo ela será implementada.

“A greve é forte e o chamado do Ministro para a reunião reafirma isso. Já são 51 instituições paradas. Nós queremos a reestruturação da carreira, para uma mais simples, que valorize o trabalho docente e permita oferecermos ensino de qualidade. Para isso precisamos também de condições de trabalho, de salas de aula, laboratórios, bibliotecas”, disse Marina Barbosa, presidente do ANDES-SN, em entrevista após a reunião.

Ela ressaltou que a precariedade que vimos hoje é consequência de uma política de expansão desordenada e sem qualidade via Reuni, por isso o movimento quer também discutir os prazos e os critérios de distribuição entre as Ifes, dos novos cargos criados.

Marina destacou também que o movimento compreende os problemas apontados pelo ministro, mas que eles não podem servir mais uma vez de desculpas para que as negociações não avancem.

“Na nossa opinião, o acordo emergencial não foi cumprido e o prazo nele estipulado já venceu [31 de março]. Na última reunião antes da greve, em 15 de maio, o governo nos apresentou a mesma proposta de dezembro de 2010. Ou seja, as negociações não avançam”, finalizou.

Fonte: ANDES-SN

Funcionalismo federal decide por greve geral a partir de 11 de junho

Em plenária ampliada realizada na Esplanada dos Ministérios na tarde desta terça-feira (5), mais de 800 representantes das 31 entidades que compõem o Fórum Nacional das Entidades dos Servidores Públicos Federais (SPF) votaram pela greve geral no funcionalismo a partir de 11 de junho.

A reunião aconteceu após a Marcha unificada dos SPF, que reuniu mais de 15 mil trabalhadores nesta manhã em Brasília. Os professores federais, em greve desde 17 de maio, participaram da manifestação com caravanas de vários estados. O dia 11 de junho foi apontado como indicativo para o início da greve geral por tempo indeterminado dos SPF.

No setor da educação, a base da Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra Sindical) paralisa as atividades na segunda (11) e do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) na quarta (13). Outra categoria que já deliberou pela deflagração da greve a partir do dia 13 foi a dos trabalhadores do judiciário federal e do ministério público da união, organizados na Fenajufe.
Já a base da Confederação Nacional dos Servidores Federais (Condsef) paralisa as atividades no dia 18.

Para Paulo Barela, coordenador da CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular) que integra o Fórum, a quantidade de participantes tanto da marcha quanto da plenária é emblemática para o conjunto dos servidores.

“Depois de quase uma década, os servidores retomam a compreensão de que é também tarefa do funcionalismo público lutar em defesa da qualidade do serviço público oferecido à população. A unidade que vem sendo construída, e que ficou expressa hoje, aponta para a perspectiva de construirmos uma greve inédita dos servidores federais”, disse Barela.

O representante da CSP-Conlutas destacou que a greve já está aprovada e agora as entidades discutirão com suas bases o processo de deflagração. “A indignação dos servidores é muito grande e os trabalhadores estão votando pela greve para forçar o governo a abrir negociações efetivas com a categoria”, disse. Ele lembra que desde o início do ano, o Fórum se reuniu oito vezes com os representantes do Ministério do Planejamento sem registrar nenhum avanço.

Para a presidente do ANDES-SN, Marina Barbosa, a deflagração da greve geral dos servidores soma forças à paralisação dos docentes. “A nossa greve cumpre um papel importante ao demonstrar, com muita humildade, que é possível lutar. Em segundo, na medida em que mais categorias entram em greve, fortalecem as lutas já em curso”, avaliou.

Segundo ela, a greve dos professores não se dilui na do funcionalismo federal, mas sim soma esforços para a construção de um grande movimento em defesa do serviço público

Fonte: ANDES-SN