Arquivo mensais:janeiro 2010

Unifesp divulga atividades pagas, mas restringe gratuitas

Em janeiro, a Adunifesp contestou em ofício à Reitoria, a divulgação de cursos pagos na Rede Unifesp. O documento afirma que enquanto tais cursos podem ser divulgados na rede, muitas atividades gratuitas de ensino e pesquisa, não o são. “Desde o ano de 2008, sofremos limitações severas ou mesmo impedimentos na divulgação de debates, seminários, palestras e, até, cursos de pós-graduação strictu sensu”, argumenta o ofício.

A Associação propõe também que os critérios de divulgação sejam revistos, priorizando as atividades gratuitas, desde que submetidas aos fóruns deliberativos da universidade, enquanto que os cursos pagos sejam divulgados com receitas próprias e sem utilizar a estrutura de comunicação da instituição. A Adunifesp espera sensibilidade da Reitoria para o assunto. Clique em leia mais e acesse a íntegra do ofício.

Of. nº 001/2010_adunifesp

São Paulo, janeiro de 2010.

Ilmo. Sr.
Prof. Dr. Walter Manna Albertoni
Magnífico Reitor da Unifesp

Senhor Reitor:

Nas últimas semanas, vários cursos de extensão pagos estão sendo divulgados na rede da Unifesp. Diante disto, vimos manifestar nossa estranheza ao verificar que estes cursos possam ser divulgados na rede, enquanto muitas outras atividades de ensino e pesquisa, que são gratuitas, não o são.

Desde o ano de 2008, sofremos limitações severas ou mesmo impedimentos na divulgação de debates, seminários, palestras e, até, cursos de pós-graduação strictu sensu. Portanto, consideramos inadequado que cursos pagos sejam divulgados aos e-mails dos usuários Unifesp, enquanto atividades de interesse direto da comunidade são impedidas por rigorosas normas. Salientamos, também, que os possíveis interessados nesses cursos de extensão não são, em geral, membros da comunidade Unifesp.

Sendo assim, solicitamos que tais regras sejam revistas: atividades gratuitas, desde que submetidas aos fóruns deliberativos da universidade, devem ser amplamente divulgadas, enquanto cursos pagos devem ser divulgados com receitas próprias e sem utilizar a estrutura de comunicação da Unifesp. Nada mais havendo a tratar, subscrevemo-nos.

Atenciosamente,
Profa. Dra. Soraya S. Smaili
Vice-Presidente da Adunifesp-SSind

c/c
– Profa. Dra. Eleonora Menicucci de Oliveira – Pró-Reitora de Extensão
– Prof. Dr. Ivan Torres Pisa – Chefe do Depto. de Informática em Saúde

Instituto do Mar gera polêmica em Santos

O projeto de desmembramento do Campus da Baixada Santista da Unifesp, apresentado no ano passado pelo Senador Aloizio Mercadante, além de mobilizar a comunidade contrariamente à proposta, retomou o debate sobre a expansão da universidade e a criação do chamado Instituto de Ciências do Mar e do Meio Ambiente (ICMMA). Ligado à universidade, este órgão, ainda como um embrião, já gera muita polêmica. Com o intuito de debater o tema, a Adunifesp organizou no final de 2009 uma mesa com o Reitor Walter Albertoni, o Diretor do Campus, Nildo Batista, e o coordenador do ICMMA, Professor Samuel Goihman. A mediação ficou por conta da presidente da Associação, Maria José Fernandes.

Em sua exposição, o Professor Nildo Batista falou sobre o atual momento do campus e sua relação com o ICMMA. Segundo o diretor, o instituto seria uma importante ponte de integração com as demandas da região. O ponto fraco ainda seria a falta de infra-estrutura do campus. Mesmo assim, o professor se mostrou otimista. “Temos iniciativas sociais de grande relação com o município e um grande potencial para pesquisa e extensão”, afirmou.

Já Samuel Goihman explicou a estrutura do ICMMA. Além de cursos de engenharia portuária, ambiental, da pesca e oceanografia, o projeto prevê a construção de um grande centro de pesquisas que contemple as demandas econômicas e sociais da região, em particular a exploração do petróleo do Pré-Sal e o desenvolvimento da indústria naval e do Porto de Santos. O órgão teria autonomia para captar recursos privados e de empresas como a Petrobras, e não apenas das instituições públicas de fomento à pesquisa. O ICMMA deve funcionar em um prédio cedido pelo governo de São Paulo.

Durante o debate, um grupo de estudantes criticou duramente o ICMMA. Uma estudante denunciou a lógica do instituto de trabalhar apenas para os grandes interesses econômicos. “Como fica a população da região? E o tripé ensino, pesquisa e extensão?”, afirmou. Eles também criticaram duramente as condições precárias do campus da baixada, particularmente a falta de política de permanência estudantil e de infra-estrutura adequada. “Apesar de todos os graves problemas, o Instituto do Mar está sendo enfiado ‘goela abaixo’ da comunidade. Quando vamos discutir o fato de Petróleo e Porto serem mais rentáveis que políticas de saúde”, afirmou outra aluna.

Samuel Goihman rebateu as críticas ao instituto, dizendo que o projeto já foi discutido. “Apenas foi interrompido, então agora precisa ser retomado”. Ele afirmou que o órgão não irá funcionar paralelamente à universidade, fato também negado categoricamente pelo Reitor Albertoni. “Não faremos nenhuma improvisação”, afirmou, sobre a continuidade da expansão da universidade. A Presidente da Adunifesp, Maria José Fernandes, alertou para o fato de que o futuro do ICMMA depende da Reforma do Estatuto da universidade, que deliberará sobre como se dará a autonomia de cada campus e a formação das unidades acadêmicas. “O instituto não é um órgão que esteja fora da Unifesp, ao contrário, deve obedecer às suas instâncias e aos interesses da universidade pública”, disse.